Esperei que todos saíssem para chorar no tom mais agudo toda aquela emergência adiada. A casa vazia e eu me esvaindo em lágrimas enquanto compunha com música o cenário adequado pra saudade represada. E clamei pela salvação da palavra, pela organização dessa desordem de sonho. É que brotou amor demais da flor dos olhos me aguando toda por dentro. E as minhas alegrias sempre superlativas me condenam à exaustão. As belezas que experimento têm delicadezas violentas demais, quase não as suporto. Essa coisa açucarada que adoça tardes e engole minhas noites, me deixa tão completamente fascinada e envolvida que, sem me ausentar, ultrapasso dias e volto pra viver duas vezes a mesma coisa. Fico chuviscando por toda parte, meu corpo se liquefazendo em abraços. Eu toda mergulhada em tudo. E nunca sei quem me tornarei depois de ser ampliada por tanto afeto e amor. Tenho medo de ficar exageradamente pura enquanto cato as estrelas maduras que caíram no jardim.
E, de tanta doçura, tenho medo de ficar enjoativa.